segunda-feira, 10 de março de 2008

Conselheiro do Fluminense movimentava dinheiro do clube em conta bancária particular

Rio - O dossiê encontrado no computador do comissário de bordo Daniel Gustavo Pereira de Jesus - que morreu no dia 30 de dezembro ao cair do 12º andar do Hotel Pestana, em Copacabana - não é o único indício de que o Fluminense engana a Justiça com manobras bancárias para evitar o pagamento de dívidas trabalhistas. A reunião do Conselho Deliberativo no dia 11 julho de 2007 mostrou que o Tricolor driblava as penhoras judiciais on line (feitas pelo Banco Central na conta da empresa contestada) através de caixa dois.

Naquele dia, o vice-presidente Social Roberto Guimarães admitiu que usava a sua conta particular para movimentar dinheiro do Flu.

- A conta tá no meu nome. Se esse valor vai para conta única, também pode ser penhorado como foi uma série de coisas - admitiu Guimarães.

A reunião é investigada pelo Ministério Público estadual. O vice de Finanças, Carlos Henrique Ferreira, endossou a existência da conta paralela e afirmou tratar-se de um "artifício utilizado há algum tempo" no Fluminense.

- Obviamente que um clube como o Fluminense sofre penhoras. Alguns artifícios precisam ser utilizados para que nós deixemos o nosso caixa salvo das penhoras mais imediatas. O que o Roberto Guimarães faz é apenas uma gerência antecipada, para evitar que o dinheiro vá ao departamento financeiro, caia no banco, caia numa penhora e também se pague dívidas - disse Ferreira na reunião.

Na mesma ocasião, o conselheiro Peter Siemsen - na época candidato à presidência - advertiu o conselho sobre a irregularidade. O conselheiro Hugo Moska, entretanto, pediu para que o assunto morresse. Acabou aplaudido.

O presidente Roberto Horcades reconheceu a conta de Guimarães, mas afirmou que os valores estão contabilizados no caixa do clube.

(Jornal Extra)

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