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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Polícia ouve testemunhas da morte de mototaxista em protesto no Alemão

A Divisão de Homicídios Polícia Civil pretende ouvir três testemunhas nesta quinta-feira (29) na investigação da morte de um mototaxista durante um tiroteio no Conjunto de Favelas do Alemão, Zona Norte do Rio. De acordo com o titular da especializada, Rivaldo Barbosa, uma perícia foi feita no local para tentar saber de onde partiram os tiros que mataram Caio Moraes da Silva, de 20 anos. Como mostrou o Bom Dia Rio, ele participava na noite de terça de um protesto de mototaxistas contra a prisão de Romário Moraes da Silva, conhecido como Romarinho, procurado por tráfico de drogas. Outro morador da comunidade ficou ferido durante a ação.

“Nós ouvimos ontem 11 pessoas, apreendemos oito armas dos policiais militares e, com o resultado dessa perícia, nós vamos confrontar com o depoimento dos PMs. A gente também aguarda um exame do IML, que hoje de manhã deve estar pronto para ser inserido no inquérito”, explicou Barbosa, que frisou que o laudo oficial da perícia fica pronto em 30 dias.
O corpo de Caio será enterrado nesta tarde no Cemitério do Caju, Zona Norte da cidade. Os familiares da vítima passaram a tarde desta quarta-feira tratando da liberação do corpo no Instituto Médico Legal (IML). Denise Moraes da Silva, mãe de Caio, disse que acredita que o filho tenha sido baleado pelas costas e pede que a polícia investigue o caso.
“Pelo que eu observei na roupa do meu filho, ele levou um tiro pelas costas. Eu não vou dizer de quem veio, mas eu espero que a polícia me mostre quem atirou."
Protesto
Imagens publicadas na internet mostram que o protesto contra a prisão de Romarinho fechou a Estrada do Itararé, que corta a região, na noite de terça. Algumas pessoas a pé interromperam o tráfego na avenida e espalharam faixas e cartazes no asfalto. Logo após a interdição da via, policiais militares começaram a conversar com o grupo, mas, em seguida, jogaram bombas de gás para tentar liberar o trânsito. Tiros foram ouvidos no entorno do protesto e, de acordo com a PM, os disparos foram feitos dentro da comunidade, contra os policiais.

Um carro da PM foi alvejado pelos tiros e um morador ficou ferido por armas de fogo. Fausto Sobral, de 56 anos, foi ferido na perna durante o confronto. Ele foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da comunidade e depois transferido para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. Até as 7h, segundo a Secretaria de Saúde, o estado de saúde dele era estável.
De acordo com a assessoria das UPPs, por volta das 18h de terça um grupo de moradores e mototaxistas do Complexo do Alemão começou uma manifestação na frente do quartel da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), na Avenida Itaoca. Este mesmo grupo seguiu pela Avenida Itararé, quando bloqueou a via por alguns minutos. O 22º BPM (Maré) conseguiu dispersar o grupo e liberar o trânsito.
Ainda segundo a corporação, ao se aproximarem da Avenida Central, os policiais das UPPs do Alemão que acompanhavam a manifestação foram alvos de disparos vindos do interior da comunidade. Um carro da PM foi alvejado pelos tiros.
Ônibus incendiado
Mais tarde, um ônibus foi incendiado em frente ao Posto de Assistência Médica (PAM) de Del Castilho, no Subúrbio, perto do Conjunto de Favelas do Alemão. Ninguém ficou ferido, segundo a Polícia Militar. Tropas do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram acionadas e, durante a madrugada, a PM fez buscas para encontrar os criminosos que participaram do confronto.

Traficante preso
Nesta quarta, a Polícia Civil prendeu outro traficante do Conjunto de Favelas do Alemão. De acordo com as investigações, Gustavo Rodrigues dos Santos, 22 anos, conhecido como Gugu, era o tesoureiro dos criminosos e foi detido em casa. Para a polícia, Romarinho e Guga fariam parte da mesma quadrilha. O bando seria chefiado por Bruno Eduardo da Silva Procópio, o Piná, preso em abril. (G1/Redação)


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Idosa morta no Alemão comemorava aniversário antes de morrer, diz família

A idosa que morreu após tiroteio entre policiais e criminosos na favela Nova Brasília, no Conjunto de Favelas do Alemão, Subúrbio do Rio, na noite deste domingo (27), comemorava o aniversário pouco antes de ser baleada. Arlinda Beserra de Assis, de 72 anos, conhecida como Dalva na comunidade, foi atingida enquanto levava o sobrinho-neto em casa, após um almoço com a família. Segundo parentes, ela tentou protegê-lo dos tiros e acabou atingida.
Neta de Arlinda, Tamires Assis, de 24 anos, disse que tudo aconteceu em pouco tempo e a cerca de 10 metros de casa. "Ela esperou o tiroteio terminar e saiu de casa para deixar o sobrinho neto na casa dele. Ela fez aniversário na quarta e teve um almoço no domingo, de comemoração. Pouco tempo depois que ela saiu com ele, a gente ouviu um grito e viu ela no chão", contou Tamires. Segundo ela, a avó foi atingida na virilha e na barriga.
Marinalva Bezerra, mãe do menino que Dalva acompanhava, disse que espera assistência do governo depois da morte."A gente não quer dinheiro, a gente só quer assistência. Um pedido de desculpas, um 'sinto muito' do estado. O meu filho está em estado de choque, precisa de um apoio psicológico", disse.
O corpo de Dalva deixou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do Itararé, no Subúrbio, mas até 10h30 não havia chegado no Instituto Médico Legal (IML). Os parentes da idosa desconhecem a origem dos disparos. Para eles, a manifestação que ocorreu após a morte de Dalva foi uma maneira de apoio, já que ela morava há muitos anos na comunidade.
"A gente é a favor da manifestação, mas não da violência. Ela era muito conhecida na comunidade e as pessoas gritaram pedindo justiça", disse Marinalva.
Ainda não se sabe de onde partiu o disparo
Como mostrou o Bom Dia Rio, ainda não se sabe de onde partiu o disparo que matou a idosa. Dalva foi baleada na barriga e morreu logo após chegar a UPA do Alemão. A mãe não sabe como dar a notícia ao menino, que viu a avó ser ferida.

Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), cinco policiais militares faziam patrulhamento na Rua 2, quando avistaram um grupo de criminosos armados. Houve troca de tiros, mas PMs e suspeitos não foram feridos. Cerca de 10 minutos após o tiroteio, a UPP Nova Brasília recebeu um chamado para atender uma moradora ferida na localidade Beco da Vivi.
Na UPA, a família da vítima contou que Dalva entrou na frente do neto, de 10 anos, para protegê-lo do tiroteio. A criança não ficou ferida, mas está traumatizada, segundo a família. A idosa chegou ao Rio de Janeiro em 1970, vinda do Rio Grande do Norte. Ela tinha um filho biológico e outros de criação.