Conforme dados da Secretaria Estadual de Saúde, até outubro foram notificados 12.908 mil casos de dengue no Estado e 66 casos de dengue hemorrágica, com três mortes confirmadas só na Região Metropolitana-2, que abrange os municípios de Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito e Silva Jardim.
A Secretaria informa que os bairros mais afetados são os da Região Oceânica, por causa da grande extensão de área verde e das casas de veraneio. No local, só neste ano houve um aumento de 50% de casos e os moradores temem uma epidemia.
Segundo a vice-presidente de Atenção Coletiva, Ambulatorial e da Família, da Fundação Municipal de Saúde, Maria Célia Vasconcellos, a situação já tinha sido identificada como alarmante desde o início de fevereiro, por isso a Secretaria se antecipou e deflagrou, em setembro, uma ação denominada "Operação Primavera", para combater o foco do mosquito e conscientizar a população.
"Nós identificamos o aumento desde o início do ano, por isso criamos uma operação para combater e conscientizar a sociedade. Podemos considerar uma guerra e a nossa luta é derrubar o mosquito", disse.
Cidade registra aumento de casos em áreas de veraneio
A vice-presidente de Atenção Coletiva, Ambulatorial e da Família explicou que o aumento de casos em Niterói se dá por alguns fatores:
"Muitas pessoas vêm de outros municípios para procurar médicos na cidade. Além disso, na Região Oceânica há muitas casas fechadas de veraneio, o que impossibilita a entrada dos agentes para combater o mosquito".
A "Operação Primavera" está fazendo uma mobilização de todas as secretarias e a sociedade civil organizada, para diminuir o número de casos de infecção. Foi formado um Comitê Regional de Dengue por um grupo de agentes do governo e da sociedade civil, que está realizando, junto às associações de moradores, pais e professores, o trabalho de conscientização.
"Em novembro, a maioria das escolas está fechada. Com a antecipação dos trabalhos, queremos contar com pais, alunos e professores engajados nessa campanha. O mosquito transmissor da dengue é caseiro e, sem a ajuda da população, não teremos resultados satisfatórios", insistiu Maria Célia Vasconcellos.
Apesar do aumento de casos em todo o Estado do Rio de Janeiro, a rede pública da cidade tem conseguido prestar atendimento de qualidade e realizar uma vigilância epidemiológica eficiente, na avaliação da servidora.
"Não somos uma ilha isolada do Estado ou do País; também registramos um aumento no número de casos. Nossa parceria com a iniciativa privada, que tem informado e notificado os casos com agilidade, e um serviço de vigilância epidemiológica eficiente, também contribuíram para um registro maior e mais exato, no sistema de saúde, das pessoas adoentadas. Nosso trabalho é ininterrupto durante todo o ano. Os laboratórios que confirmam ou não a notificação para dengue, no Largo da Batalha, na Zona Norte, e no Miguelote Viana, deram respaldo às nossas ações por conta da avaliação precoce, fundamental em casos de dengue", completou Maria Célia Vasconcellos.
Campanha de conscientização
A operação está sendo realizada com participação das secretarias regionais, associações de moradores, Corpo de Bombeiros, escolas públicas e particulares e equipes do Programa Médico de Família (PMF). Os agentes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) que fazem o trabalho durante todo o ano, neste período de calor intensificam o combate.
"Estamos fazendo um mutirão de combate e conscientização. Vamos unificar os procedimentos de toda a rede de atenção básica com a rede hospitalar e de emergência. Este ano, a experiência de transformar as policlínicas regionais em locais de referência para diagnóstico, tratamento e acompanhamento foi muito positiva e será repetida, se necessário. A antecipação das ações e a grande mobilização que estamos preparando tem por objetivo evitar a proliferação do aedes aegypti, conseqüentemente, a alta de casos", contou Maria Célia.
Ela citou alguns cuidados que a população deve ter, como: evitar água parada em tonéis, pneus e garrafas, ou que a caixa d’água, sanitário e vasilha para animais fiquem destampados, além de manter piscinas bem tratadas.
Os ovos deixados pelo mosquito, que ficam na parede dos recipientes, podem viver até 450 dias, por isso a necessidade de lavá-los com freqüência e receber sempre os agentes do Centro de Controle de Zoonoses em casa.
"Ainda há resistência da população em receber os agentes nas residências Caso o morador queira confirmar os dados do agente, ele pode ligar para os telefones 2719-4614 ou 2621-6191. E é importante frisar que não é uma ação isolada da Secretaria de Saúde, mas de toda a população", explicou.
Na última sexta-feira um grupo formado por agentes do CCZ esteve no Mangueirão, Região Oceânica. A moradora Maria da Conceição, de 59 anos, disse que já teve dengue e o seu neto ficou doente duas vezes. Na casa dela, o agente vistoriou a caixa d’água, que estava coberta por uma tela e eliminou alguns depósitos de água. O aposentado Ozias Viana Gomes, de 68 anos, disse que tenta evitar o mosquito.E o casal de moradores Andréia Lace, de 37 e Gilberto Lace, de 39, que é frentista, está com medo do aumento do número de casos, mas aprova o trabalho feito.
(O Fluminense)